CIDADE DE LAMEGO

Castelo de Lamego

Entrado D. Henrique de .Borgonha na posse do condado de Portugal, pelo seu casamento com D. Theresa, filha de D. Affouso VI, rei de Castella, tratou sem descanso de accrescentar novos territorios ao pequeno estado que constituia o dote de sua esposa. IS’esse empenho de alargar as fronteiras do seu condado e de comhater os inimigos irreconciliaveis da fé curistã, foi sobre a cidade de Lamego, correndo o anuo de 1102. Defenderam-se os moiros valorosamente, mas, não obstante o seu esforço, a cidade foi tomada pelos portuguezes.

Por esta oecasião deu o conde D. Henrique um notavel exemplo de generosidade e abnegação. Tendo o régulo moiro, por nome Eicha, solicitado e recehido a graça do haptismo, o vencedor deixou-o na posse pacifica dos seus dominios, contentando-se em o fazer seu tributario..

Passados annos, D. Affonso Henriques, mais amhicioso que seu pae, ou porque o régulo de Lamego se negasse ao cumprimento das condições com que lhe foram concedidas, depois da victoria das armas christãs, a liberdade, a paz e a coroa, conquistou a cidade de Lamego e mais territorios que formavam os estados de Eicha Martim.

Aquella cidade ficou pertencendo desde então a Portugal, mas o facho da guerra ainda continuou, em diversos tempos, a devastar os campos em derredor e a passar sobre seus muros. Assim foi por vezes destruida e despovoada, e outras tantas de novo reedificada e povoada.

Depois de resgatado completamente do poder dos sarracenos o reino de Portugal, Lamego começou a florecer por impulso da industria, sem emhargo de não desfructar uma posição vantajosa para o commercio. Algumas fabricas de diversos tecidos, e uma grande feira annual, á qual concorriam muitos moiros de Granada com fazendas e especiarias do Oriente, de que se ahastecia a maior parte do reino, faziam de Lamego uma cidade prospera c importante no decurso dos seculos xiv e xv.

Dois grandes snecessos para Hespanha c Portugal, occorridos no fim do eeculo xv, fizeram desapparecer rapidamente toda aquella prosperidade, como fumo levado do vento. A conquista de Granada e expulsão dos moiros de Hespanha pelos reis catholicos Isabel e Fernando, e a descoberta da carreira da India por Vasco da Gama, acaharam com aquella grande feira, que fizera de Lamego um pequeno emporio commercial. A extincção do seu commercio operou a decadencia da sua industria fabril. A introducção de fazendas franeezas e inglezas no reino, que principiou a avultar na segunda metade do seculo xvi, apressou a ruina das fabricas de Lamego.

Sobrevindo a tão grandes revezes os sessenta annos do jugo de Castella, e quasi vinte e oito da guerra da restauração da nossa independencia, aquella cidade conservou-se ahatida e decadente em todo este longo espaço de tempo. Mal começava a gozar os beneficios da paz, que, apesar de quaesquer causas de decadencia, sempre fazem sentir, ao cabo de uma lucta porliosa, a sua benefica influencia, rebentou a guerra da successão ao throno de Hespanha, chamada dos sete annos, em que Portugal se envolveu, e da qual foi por. vezes theatro a provincia da Beira. Esta guerra, que promettia a este reino grandes vantagens, segundo os tratados celebrados, entre outras a annexação da Galliza, se porventura saisse d’ella victorioso, juntamente com os seus alliados, foi muito desastrosa para o nosso paiz em geral, e particularmente para as terras que, mais ou menos directamente, foram incommodadas com as invasões do inimigo ou com a passagem das tropas atliadas.

As riquezas que o Brasil entornou sobre Portugal em oiro e diamantes, durante o reinado del-rei D. João v, não foram todas transformadas, como muita gente cré, nos paços de Mafra, em fundações religiosas c em bulias pontiQcias. Uma parte d’ellas, c muito importante, foi empregada utilmente na construcção de estradas, na abertura de canaes, na dissecação de pantanos, na fundação de fabricas e em outras obras de utitidade publica, como temos dito em outros logares, e com as quaes teve incremento o commercio em todo o paiz, animaudo-se ao mesmo tempo os outros ramos da industria.

Neste periodo a cidade de Lamego ergueu-se um pouco da prostração em que jazia. Mas no reinado seguinte ainda o seu estado melhorou muito, por e ffeito de disposições legislativas que promoveram directamente os seus interesses. Referimo-nos á protecção dada por el-rci D. José 1, aconselhado pelo seu illustrado ministro, á agricultura e commercio dos vinhos do Alto Douro. A prosperidade d’estas industrias reflectiu-se na cidade de Lamego, pois que muitas das principaes faniilias são grandes proprietarias de vinhas no Alto Douro; e muitas ha na cidade e suas visinhauças que tem essas propriedades por seu unico ou quasi uni -ii patrimonio.

Infelizmente, não foi de longa duração este estado de florescencia. As invasões estrangeiras que assolaram o paiz no principio d’este seculo, e as deploraI veis consequencias dessa tremenda guerra; os trinta annos de luctas civis, que tanto nos custou o triumpho e consolidação da liberdade; e, finalmente, a decadencia daquelle importante ramo da nossa industria agricola, devida a diversas causas, sendo a ultima e mais destruidora a molestia das vinhas; toda esta serie de desastres actuou maleficamente sobre Lamego. Todavia, os effeitos d’estas calamidades foram de algum modo neutralisados pela libertação da terra, e por outras medidas e melhoramentos, que pozeram a mdustria em geral do paiz em melhores condições de existência.

El-rei D. João i deu foral a Lamego com muitos privilégios e isenções.

No antigo regimen gozava esta cidade da prerrogativa de se fazer representar em cortes por procuradores, que tomavam assento no segundo hanco.

Tem por brazão darmas um escudo coroado, e no centro d’elle, em campo azul, um castello de prata com tres torres sobre campo negro. Ao lado do castello vé-se uma arvore com fructos, a qual dizem chamar-se lamegueiro, c por cima do castello e da arvore estão o sol, de oiro, e a lua, de prata.

É assim composto o brazão que existe pintado em um livro das armas das cidades e villas do reino, que se guarda na Torre do Tombo. Todavia, alguns auctores descrevem-n’o pondo uma estrella onde n’aquelle se vé a lua, e collocando o escudo das quinas reaes por cima da fortaleza.

A cidade de Lamego divide-se em tres hairros, denominados da Praça, do Couto da Sé e do Castello. O primeiro é o principal e mais plano. Comprebende uma praça e uma rua, extensa e larga, com suas travéssas. O segundo, tambem com a sua praça, e adornado com os dois bons edificios da sé e do paço episcopal, está situado entre as duas ribeiras, Balsemão e Fafel, de modo que fica uma como peninsula. O terceiro hairro estende-se eutre os dois acima referidos. Compõe-se de diversas ruas estreitas e tortuosas, correndo por um terreno um pouco elevado, na parte mais alta do qual avulta o antigo castcllo de Lamego.

A sé e a collegiada de Santa Maria de Almacave são as duas unicas paroehias da cidade.

É a cathedral um monumento gothico muito apreciavel pela sua antiguidade. A fachada, toda de cantaria, é composta de tres corpos, sendo o do centro mais elevado, e correspondendo cada um a uma das tres naves em que se divide o interior da egreja. N’aquelles corpos abrem-se tres portaes, o do corpo central mais largo, e todos formados por varios arcos de ponto suhido, ou ogivaes, que vão diminuindo na grossura da parede. Sobre o portal do meio está um oculo singelamente decorado, mas de feitio singular. Por cima das portas dos dois corpos lateraes vé-se uma janella de cada lado, cem sua columna no meio. A parte superior do edificio é coroada por seis pyramides, duas em cada um dos tres corpos da frontaria. A par d’esta ergue-se a maior altura que o templo a torre dos sinos, tambem de cantaria, sem ornato algum.

No interior da egreja reina a mesma simplicidade que se observa no exterior. É dedicada, como todas as cathedraes do reino, a Nossa Senhora da Assumpção.

Acham-se n’esta egreja varias sepulturas de hastante antiguidade, encerrando as cinzas de pessoas notaveis. Na capella do Santissimo Sacramento da lado da epistola, está mettido na parede o sepulebro de D. Guiomar de Berredo, neta del-rei D. Affonso m. O epitaphio diz ser neta de D. Affonso iv; mas é erro comprovado por documentos que se guardam no archivo da mesma sé. Junto áquella capella está outra que tem o escudo darmas da familia Balsemão. Foi fundada para jazigo dos fidalgos d’esta familia por Alvaro Pinto da Fonseca, morgado de Balsemão, que n’ella jaz em rico mausoléo.

A sacristia encerrava outrora um rico thesouro de

reliquias santas, de pratas e paramentos. Tudo, porém, foi destruido por um incendio, vae para dois seculos, o qual reduziu a cinzas aquella casa.

Diz se geralmente que foi o conde D. Heenrique o fundador d’este templo, no começo do seculo xn. Ouem meditar no procedimento d’este principe, apôs a victoria que entregou a cidade de Lamego em seu poder, duvidará crer que alli fundasse nova cathedral, tendo mandado purificar e converter ao culto catholico a mesquita principal, com a invocação de Santa Maria de Almacave, e depois deixado ao régulo Eicha a posse pacifica da cidade e dos seus estados. Além d’isso, oppõe-se outra razão mais forte a que se lhe attribua similhante fundação. O uso da ogiva, ou arcos de ponto suhido, introduziu-se em Portugal nos fins do governo da rainha D. Theresa, viuva do conde D. Henrique, ou nos primeiros anuos em que seu filho, D. Affonso Henriques, entrou a governar. Os edificios que ainda •existem no paiz do tempo do conde D. Henrique, isto é, aquelles que se sabe com certeza terem sido por elle edificados, tem as portas e janellas de volta redonda.

Por estas razões inclinamo-nos mais a crer que foi D. Affonso Henriques o fundador da actual sé de Lamego. Porém da fabrica do nosso primeiro rei pouco resta, porque o hispo D. Manuel de Noronha, que principiou a governar em 1540 e falleceu em 1569, procedeu a uma reconstrucção quasi completa d’esta cathedral. Se a fachada é toda obra sua, como achamos referido em um auctor antigo, tiveram o prelado e o arehitecto o bom juizo de conservar ao monumento affonsino as suas feições primitivas, ou de lhe dar as que mais quadravam ao estado da architectura-e ã simplicidade de costumes d’aquelle tempo.

É, portanto, este templo um monumento muito apreciavel para o estudo da arehitectura, porque, se a parte principal d’elle não é obra do nosso primeiro rei, mas sim do hispo reedificador, é certo que, pelo discernimento com que foram dirigidos os trahalhos de reedificação, o edificio, salvas pequenas considerações, pôde passar como um specimen architectonico do principio da monarchia.

A diocese de Lamego foi instituida no anno de 203. Nessa epocha foi suffraganea da diocese de Merida. Passou a sel o da de Braga, depois da de Compostella, e ultimamente da de Lisboa. Conta em a numerosa serie dos seus preladas muitos hispos, celebrados por suas virtudes e letras. Entre elles, porém, houve um, chamado D. João Madureira Camelo da Silva, que, tendo deslustrado o seu caracter com muitos excessos e escandalos, acabou a vida arrependido e penitente, por effeito de umas palavras de censura, que o tocaram e converteram.

Conta-se assim o caso. Achando-se el-rei D. João n muito mal na villa de Alvor, sem esperanças de vida, mandou chamar o hispo D. João da Silva. Chegado o prelado á cabeceira do monarcha, disse-lhe este que um arrependimento pesava sobre a sua consciencia naquelle transe derradeiro, e era tel-o nomeado para uma dignidade que elle deshonrava com o seu procedimento. Produziram tão forte impressão no animo do hispo estas poucas palavras, proferidas com accento grave e triste pelo rei moribundo, que D. João da Silva, apertando com enternecimento a mão do soberano, prometteu-lhe emendar-se, e cumpriu a promessa. D ahi por diante procedeu D. João da Silva como prelado virtuoso, e, para memoria do caso a que devia a sua conversão, dizem que mandára tirar o escudo de suas armas, que se achava sobre o retabulo da capella-mór da sé, que era de talha doirada, e obra sua, ordenando que se pozesse em seu logar uma cruz com as insignias episcopaes, c por haixo duas mãos travadas uma da outra.

de religiosos, extinctos em 1834, mas cujos templos se conservam, e eram os que seguem: Santa Cruz de Val de Rei, da congregação dos conegos seculares de S. João Evangelista, fundação do anno de 1596; S. Francisco, de frades capuchos da provincia da Conceição, reconstruido em 1568, e que fóra primitivamente casa de templarios; e Nossa Senhora da Piedade, de eremitas calçados de Santo Agostinho, fundado em 1630. Ha na cidade varias ermidas, d’entre as quaes mencionaremos a de Nossa Senhora da Paz, contigua ao castello, e cuja fundação primitiva é de tanta antiguidade, que pretendem alguns antiquarios que esta, e não a egreja de Nossa Senhora de Almacave, fóra a primeira cathedral ou matriz de Lamego, assim que foi resgatada do poder dos moiros.

O paço episcopal é um bom edificio, mas sem bellezas de architectura, nem mais merecimento que a sua grandeza. Tem cérca com seu jardim.

O castello, posto que hastante arruinado, é um soberbo monumento das eras guerreiras de Portugal. Nas suas muralhas torreadas abrem-se duas portas. A sua torre de menagem ainda campeia alterosa, dominando toda a cidade, como se vé na gravura a pag. 353. Presume-se que foram os sarracenos os seus primeiros fundadores, sendo depois reconstruido e augmentado pelos nossos reis em diversas epochas, desde o seculo xn até ao xiv. A sua historia é importante e curiosa; mas o espaço de que podémos dispor não permitte que a tracemos aqui. D’ella apenas referiremos uma aneedota, que mostra o juizo e bom gosto do monarcha a quem a posteridade conferiu o epitheto de principe perfeito.

Mandára D. Francisco Coutinho, conde de Marialva e marechal do reino, abrir uma grande e formosa janella na elevada torre de menagem deste castello. Indo a Lamego el-rei D. João n, logo depois de se concluir esta obra, perguntou-lhe o conde, muito ufano da lembrança que tivera, o que lhe parecia aquella janella. O soberano, vendo quão .mal quadrava o remendo de architectura moderna e mais garrida na fronte austera e singela do monumento, respondeulhe «que mais sahia quem a abrira, que quem a mandou abrir.» N’estas poucas palavras fez el-rei o elogio do artista que executou a janella, e lançou a justa censura contra o innovador, que, sem sciencia nem consciencia, se atreveu a pór feições postiças na face de um monumento venerando pela antiguidade e por tradições de gloria nacional.

Os edificios que deixámos mencionados são os principaes da cidade. O dos paços do concelho é de pequena consideração.

Como todas as cidades antigas, que pouco se estenderam além dos limites que lhe serviram de berço, Lamego não apresenta um aspecto interior agradavel e alegre, se exceptuarmos as duas praças, principalmente o espaçoso terreiro chamado campo do Tablado, não obstante contar muitas casas de apparencia regular e boa. Possue um theatro e um club muito bem organisado.

Tambem não disfructa Lamego bonitos panoramas em dilatados horisontes, porque lhe obsta a sua posição haixa e entre montes. O viajante que a demanda descobre-a, apenas, quando já está mui perto d’ella.

Em compensação, é terra farta de boas aguas e de todos os generos necessarios á vida, bem como de muitos de regalo. Os rios Douro e Balsemão fornecemlhe algum peixe. As hortas c pomares dos arrahaldes ahastecem-lhe o seu mercado de muita diversidade de excellentes frutas, hortaliças e criação. Os montes em derredor abundam em caça rasteira e do ar; e em todo o concelho se criam differentes especies de gado.

Os principaes productos agricolas do concelho de Lampgo são, além dos que acima referimos, os seus vinhos especiaes, algum azeite, cereaes, legumes e linho.

Fazem-se na cidade duas feiras annuaes, a que concorrem muitos generos e fazendas de industria nacional, e muita gente de todo o districto e de fora delle. Começa uma das feiras no primeiro dia de março, e a outra a 3 de maio.

Encerra Lamego 1:011 fogos e 4:992 habitantes, segundo o censo de 1864. Entre os seus moradores contam-se muitas familias nobres. É esta cidade cabeça de comarca de primeira classe. É séde de um juiz de direito, e das demais auctoridades administrativas e de fazenda, que lhe competem como cabeça de concelho. Aqui tem o seu quartel o regimento de infanteria n.° 9.

Os arrahaldes da cidade são formosos e pittorescos. As visinhanças do rio Douro, que corre, como dissemos, a distancia de 5 kilometros; as margens verdejantes das ribeiras Balsemão e Fafel; valles mui bem cultivados; collinas e montes vestidos de hasto e copado arvoredo; por toda a parte, e sempre, as galas da vegetação, entretidas pela abundancia das aguas e pelos amiudados nevoeiros que se levantam do rio e das ribeiras; todas estas circunstancias são proprias para darem áquelles logares frescura, amenidade e belleza.

Além d’isto, ha um sitio n’estes arrahaldes que reune aos encantos e contrastes da paizagem os respeitos da devoção. Alludimos a um sanctuario muito concorrido e venerado dos fieis. É a capella de Nossa Senhora dos Remedios, edificada no alto de um monte coberto de frondoso arvoredo, e a curta distancia da cidade. Foi fundada em tempos muito antigos, c consagrada ao martyr Santo Estevão. Pelos annos de 1550, pouco mais ou menos, reedificou-a desde os alicerces, e com muita grandeza, o hispo de Lamego D. Manuel de Noronha. Concluidas as obras, collocou este prelado no altar da dita capella uma imagem da Virgem, de um metro de altura, esculpida em marmore com hastante primor, e á qual deu a invocação de Nossa Senhora dos Remedios. Começando desde logo a devoção do povo com a santa imagem, d’ahi por diante ficou a ermida intitulada de Nossa Senhora dos Remedios.

Não ha certeza onde foi feita a imagem; presumese, porém, que o fóra em Roma, em razão de saberse que o mesmo hispo mandára vir d’essa cidade a imagem de Nossa Senhora do Rosario, tambem de pedra, e que- se venera na sé.

Este sanctuario é o Bom Jesus do Monte da provincia da Beira. Posto que não seja tão grandioso como este, assimilha-se, todavia, na situação, em certas disposições da construcção, na densa floresta que o cérca e assombra, e na grande multidão de povo e de romagens que alli acode nos dias da festa da Senhora, que se celebra duas vezes no anno, a primeira em o dia dos Prazeres, depois da paschoa, e a segunda a 5 de agosto.

Ha nos arrahaldes de Lamego mais duas ermidas que merecem menção especial, e são a de Nossa Senhora do Amparo, ou dos Meninos, e a de Nossa Senhora do Desterro. Aquella, situada na margem da ribeira Balsemão, junto á cidade, e no districto parochial da sé, é notavel por estar edificada sobre umas penedias que se despenham até grande profundidade, por meio das quaes passa uma levada que vae fazer andar uns moinhos. O fundo do ahysmo é todo eriçado de agudissimas fragas. A outra, de Nossa Senhora do Desterro, levanta-se perto da ponte do rio Balsemão, que dá entrada á cidade, ficando, por conseguinte, no principio, da rua da Corredoura.

É a ermida de boa architectura, e foi fundada pelo halio de Lessa, D. Fr. Luiz Alvares de Tavora, da casa dos condes de S. João, ao diante marquezes de Tavora, e ao presente extincta. Quando os hispos de Lamego vão tomar posse da sua diocese, é n’esta ermida que se vestem de pontifical, e d’alli fazem a sua entrada publica e solemne na cidade. i. dE Vilnen* Barros*.

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